Às margens da felicidade
Em meio a tantas pessoas Djúlia se apaixona justamente por aquela que nunca pôde tê-la.
Caminhando a beira da avenida, uma moça de olhar cativante, pele clara e lindos cabelos cor da paixão. Indo a qualquer lugar, sem destino, na esperança de encontrar o seu lugar, independente da diração, ela vai e vai...
Até o instante em que não aguenta mais a sua amarga solidão, respira forte enquanto uma lágrima quente desliza em seu rosto frio ao imaginar seu amado o qual nunca tocou. Um rapaz formoso, corpo de homem, rosto modelado pelas mãos do Soberano Criador, e cabelos cor da escuridão em que tanto tempo viveu Djúlia. Mas ela o perdeu em um brutal acidente, enquanto ele ia em busca de sua sonhada felicidade: Djúlia.
No auge de seu desespero, ela deita ao sol esperando ser levada ao encontro adiado pelo cruel destino com seu amado, dias e noites suficientes para que a vida comece a se esvair. Eis então que ao seu último suspiro de angústia ela o vê, não em sua imaginação.
Se admiram uns instantes até que ele a conduza para um paraíso onde os dois estejam juntos. O corpo da linda moça é envolvido por nuvens feito pluma e desaparece junto com o último feixe de luz do pôr-do-sol. Djúlia se encontra, encontra sua felicidade, quando nela já não há mais vida.